sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Menino Selvagem de Aveyron II



Em 1797, um menino quase inteiramente nú foi visto pela primeira perambulando pela floresta Lacaune, na França. Em 9 de janeiro de 1800, foi registrado o seu aparecimento próximo a um moinho no distrito de Aveyron. Tinha a cabeça, os braços e os pés nus; farrapos de uma velha camisa (sinal de algum contato anterior com seres humanos)cobriam o resto do corpo. Sempre que alguém se aproximava, ele fugia como um animal assutado.

Era um  menino de cerca de 12 anos. Tinha a pele branca e fina, nariz afinalado, cabelos longos e castanhos. Sua fisionomia foi descrita como graciosa, pois ria involuntariamente. Seu coberto de cicatrizes. 


Provavelmente abandonado na floresta aos 4 ou 5 anos, foi objeto de curiosidade e provocou discussoões acaloradas princialmente na França.
Após sua captura, verificou-se que Victor (assim passou a ser chamado) não pronunciava nenhuma palavra e parecia não entender nada do que lhe falavam. Apesar do rigoroso inverno europeu, rejeitava roupas e também o uso de cama, preferindo dormir ao chão sem colchão. Locomovia-se apoiado nas mãos e nos pés, correndo como os animais quadrúpedes.


Um Olhar sociológico sobre o menino de Aveyron

Médicos  franceses, como Jean Étiene Equirol (1772-1840) e Philippe Pinel (1745-1826), afirmvam que o menino selvagem sofria de idiotia, uma doença mental grave. Segundo eles, eria sido esse o motivo pelo qual seus pais o haviam abandonado.


Já o psiquiatra Jean-Marie Gaspard Itard não compartilhava da mesma opinião dos colegas. Ele acreditava que a situação de abandono e afastamento do convívio com a civilização explicava o comportamento selvagem do menino, discordando assim, do diagnóstico de doente mental e passou a estudar, acompanhar o comportamento do menino.


Itard publicou em 1801, um livro onde relata seu trabalho: "...ele já é capaz de sentar-se convenientemente à mesa, retirar a água necessária para beber, levar ao seu terapeuta as coisas de que necessita; diverte-se ao empurrar um carrinho e começa também a ler..."
Cinco anos mais tarde, Victor fabricava pequenos objetos e podava as plantas da casa. Com base nesses resultados, Itard formulousua tese de que os hábitos selvagens iniciais do menino e a sua aparente doença mental, eram apenas e tão somente resultado de uma vida afastada de seus semelhantes e da civilização.

Itard formulou então, a sua hipótese de que a maior parte das deficiências intelectuais e sociais não é inata, mas tem sua origem na falta de socializaçãodo indivíduo considerado deficiente, na falta de comunicação verbal. Aproximendo de uma visão sociológica, o pesquisador concluiu que o isolamentosocial, prejudica a sociabilidade do indivíduo. Desta forma, podemos concluir que, a sociabilidade é o que torna possívela vida em sociedade e que o ser humano é um animal social por excelência, como afirmava o filósofo Arsitóteles (384-342 a.C.). Sua vida só adquire sentido na relação com outros seres humanos.


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